Caos, horror e destruição
Como dizia há bocado, Napalm Death e Carpenters, duas faces da mesma moeda.
(Que metáfora tão batida, eu sei. Pensem em novas metáforas sobre o mesmo tema e enviem-mas. Os dez primeiros ganham um vale de desconto na loja Modas Bi-Sexo, em Campo de Ourique.*
*Limitações de stock poderão impedir a entrega dos vales)
Mas voltando aos Napalm Death.

Quando era rapazola, gostava de olhar para as capas dos discos dos Iron Maiden. Era como olhar para livros de banda desenhada. Mais tarde, ouvi-os. E percebi que eram de facto como livros de banda desenhada, mas com banda sonora. Foi nos pátios da Escola Preparatória da Parede (baptizada "Macacos" pelos snobes dos Maristas) que começou o meu fascínio com as metaladas.
Com uns anito de interregno pelo meio, foi só na altura em que as hormonas faziam mosh, aí pelos sweet sixteen, que me meti a sério nos pesos. Naquela altura, já tinha passado pelos Guns N' Roses e pela pandilha do "hard-rock" (que coisas tão foleiras que este termo evoca, valha-me Zeus) que passava na saudosa Rádio Marginal.
Queria mais, mais pesado, mais rápido, mais alto. De degrau em degrau, escalei até encontrar um grupo de sebosos de Birmingham que um dia foram a coisa mais barulhenta e caótica que se podia encontrar (dentro da etnia metaleira).
Napalm Death. Como tudo o que é bom, vital e saudável no mundo, também eles tomaram injecções de punk rock, principalmente destilado em hardcore. "Scum", de 1987, é feio, porco e mau. Os temas mais rápidos e breves de sempre agradaram a gente tão inteligente e insuspeita como o Deus Ex Radio John Peel (R.I.P.) ou o Saxofonista Hiper-Activo John Zorn.
O que nos Carpenters é açúcar e veludo, nos Napalm Death são arestas cortantes e lixa. Dois extremos diferentes mas no mesmo grau.
"Utopia Banished", de 1992, é o zénite da carreira dos artistas. Apura perfeitamente o absoluto caos dos primeiros discos com a refinação "metálica" que sempre namoraram e de que abusaram em "Harmony Corruption", de 1990.
"Fear, Emptiness, Despair", de 1994, soa como nenhum álbum que eu tenha ouvido, parece ter sido gravado dentro de um tornado.
A partir de "Diatribes", de 1996, estagnaram. Esse e os discos que se seguiram não trouxeram nada de novo, mas continuaram a ter sempre motivos de interesse para quem gosta de som pauleira. Do genuíno, que faz doer os tendões mesmo a quem esteve sentado no sofá a ver tremer as colunas.
Ganham pontos extra por serem gente de esquerda. Sempre com vontade de pegar num bulldozer movido a nitroglicerina e levar à frente fachos, nazis, fundamentalistas e lixos afins.
Música boa, música complicada e música recompensadora para quem não tem medo de andar de montanha-russa TGV. E t-shirts que inspiram respeito. Não hei-de morrer sem arranjar aquela que diz "Campaign For Musical Destruction" nas costas. Coisas de puto impressionável.
(Que metáfora tão batida, eu sei. Pensem em novas metáforas sobre o mesmo tema e enviem-mas. Os dez primeiros ganham um vale de desconto na loja Modas Bi-Sexo, em Campo de Ourique.*
*Limitações de stock poderão impedir a entrega dos vales)
Mas voltando aos Napalm Death.

Quando era rapazola, gostava de olhar para as capas dos discos dos Iron Maiden. Era como olhar para livros de banda desenhada. Mais tarde, ouvi-os. E percebi que eram de facto como livros de banda desenhada, mas com banda sonora. Foi nos pátios da Escola Preparatória da Parede (baptizada "Macacos" pelos snobes dos Maristas) que começou o meu fascínio com as metaladas.
Com uns anito de interregno pelo meio, foi só na altura em que as hormonas faziam mosh, aí pelos sweet sixteen, que me meti a sério nos pesos. Naquela altura, já tinha passado pelos Guns N' Roses e pela pandilha do "hard-rock" (que coisas tão foleiras que este termo evoca, valha-me Zeus) que passava na saudosa Rádio Marginal.
Queria mais, mais pesado, mais rápido, mais alto. De degrau em degrau, escalei até encontrar um grupo de sebosos de Birmingham que um dia foram a coisa mais barulhenta e caótica que se podia encontrar (dentro da etnia metaleira).
Napalm Death. Como tudo o que é bom, vital e saudável no mundo, também eles tomaram injecções de punk rock, principalmente destilado em hardcore. "Scum", de 1987, é feio, porco e mau. Os temas mais rápidos e breves de sempre agradaram a gente tão inteligente e insuspeita como o Deus Ex Radio John Peel (R.I.P.) ou o Saxofonista Hiper-Activo John Zorn.
O que nos Carpenters é açúcar e veludo, nos Napalm Death são arestas cortantes e lixa. Dois extremos diferentes mas no mesmo grau.
"Utopia Banished", de 1992, é o zénite da carreira dos artistas. Apura perfeitamente o absoluto caos dos primeiros discos com a refinação "metálica" que sempre namoraram e de que abusaram em "Harmony Corruption", de 1990.
"Fear, Emptiness, Despair", de 1994, soa como nenhum álbum que eu tenha ouvido, parece ter sido gravado dentro de um tornado.
A partir de "Diatribes", de 1996, estagnaram. Esse e os discos que se seguiram não trouxeram nada de novo, mas continuaram a ter sempre motivos de interesse para quem gosta de som pauleira. Do genuíno, que faz doer os tendões mesmo a quem esteve sentado no sofá a ver tremer as colunas.
Ganham pontos extra por serem gente de esquerda. Sempre com vontade de pegar num bulldozer movido a nitroglicerina e levar à frente fachos, nazis, fundamentalistas e lixos afins.
Música boa, música complicada e música recompensadora para quem não tem medo de andar de montanha-russa TGV. E t-shirts que inspiram respeito. Não hei-de morrer sem arranjar aquela que diz "Campaign For Musical Destruction" nas costas. Coisas de puto impressionável.
Pequenos nadas, filmes manhosos, nostalgia, televisão e ROCK N' ROLL!
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