Thursday, May 25, 2006

!Super Fun Happy Show!





Possivelmente, a cantiga mais triste de sempre e do Mundo:



When, When We Were Young
We Had No History
So Nothing To Lose

Meant We Could Choose
Choose What We Wanted Then
Without Any Fear
Or Thought Of Revenge

But Then You Grew Old
And I Lost My Ambition
So I Gained An Addiction
To Drink And Depression

(They Are Mine
My Only True Friends
And I'll Keep Them With Me
Until The Very End)

I'd Choose Not To Remember
But I Miss Your Arrogance
And I Need Your Intelligence
And Your Hate For Authority

But Now You're Gone
I Read It Today
They Found You In Spain
Face Down In The Street

With A Bottle In Your Hand
And A Wild Smile On Your Face
And A Knife In Your Back
You Died In A Foreign Land

And They Found My Letter
Rolled Up In Your Pocket
Where I Said I'd Kill Myself
If She Left Me Again

So Now She's Gone
And You're Both In My Mind
I've Got One Thing To Say
Before I Am Drunk Again:

God Damn The Sun
God Damn The Sun
God Damn Anyone
That Says A Kind Word

God Damn The Sun
God Damn The Sun
God Damn The Light It Shines
And This World It Shows

"God Damn The Sun " SWANS

Eu ainda não vi tudo, mas a fasquia escusa de estar mais alta...

Drôle de Guerre II



A PERFECT CIRCLE - "eMOTIVe"

Verdade seja dita que estes tipos fazem discos muito muito chatos. Ou pior, metade do disco é bonzinho, outra metade é chata como a potassa. O que é ainda mais frustrante, porque se fosse tudo chato, punha-se de parte e ficávamos assim. Adiante. "eMOTIVe" é um disco pateta, solene, piegas...e é bom. É bom, pronto. Brilha um feérico (sem querer) "What's Going On", de Marvin Gaye, "Imagine" em toada fúnebre tem a sua piada e uma série de coisas, dos Black Flag aos Led Zeppelin ficam irreconhecíveis. Brilha muito "Counting Bodies Like Sheep to the Rhythm of the War Drums", com os APC a canibalizarem um tema do seu sonolento "Thirteenth Step", e que soa como soariam os Nine Inch Nails se os Nine Inch Nails fizessem coisas como deve ser.

Drôle de Guerre


Nada como um título pretensioso e um post que não interessa nada para ressuscitar isto. Álbuns bons sobre guerra. Hã? Coisa fina. Não é?

LAIBACH - "NATO"

Um objecto que parecia estranho em 94. ("Que é isto? T*chno? Eu não ouço essas merdas...então porque é que gosto disto?").
Com a sombra da guerra na ex-jugoslávia (Laibach é produto esloveno), aqui está uma colecção sinistra de reapropriações artísticas a produtos do grande capital: "The Final Countdown", "In The Army Now" estão entre os originais vilipendiados com batida electrónica marcial e tratamento vocal Wagneriano.
De "Marte", de Holst (um piroso, escreveu peças sobre os planetas do sistema solar, pff...), transmutada em "NATO", perfeita para montagens de canais noticiosos, a "War", original de Edwin Starr que serviu de álibi para os Culture Club e Bruce Springsteen, é um bom, um excelente álbum sobre guerra: excitante, demente e descoroçoador.
A pérola é "2525", na versão original um ditirambo hippie, que é transformado em algo que pode já ser considerado o vencedor garantido do primeiro festival da Eurovisão pós-Armagedão.

Thursday, August 18, 2005

Mais macaquinhos

Bangles "Manic Monday" - A mesa da sala cheia de cadernos e a cheirar a aparas de borracha, frente à televisão que transmitia o Europa TV e o Countdown do Adam Curry numa altura em que só havia canal e meio em Portugal e ver televisão à tarde era um acontecimento.

Terence Trent D'Arby "Sign Your Name" - Competindo com o barulho do aspirador ao sábado à tarde, com queques comprados quentes no Jumbo de Cascais, pão com manteiga e fiambre, frente à televisão que transmitia o "Capitão Power e os Soldados do Futuro". Que era muito fraquinho, mas era o que havia.

Tuesday, August 09, 2005

Na Pharmácia















-Era para aviar o anti-depressivo, fáxavor...
-Ora cá está. Já tomou isto antes?
-Não.
-Pode tomar à vontade, de dia, de noite...antes ou depois das refeições.
-E não me vai afectar a capacidade de lidar com maquinaria pesada.
-Pois, aí tem que ter cuidado...não tome enquanto andar a conduzir o tractor, senão parte aquilo tudo.
-Ora deixa cá ver...

Indicações: Estados depressivos, solidão, angústia, mau gosto, dependência da RFM.
Agentes activos: Ganga rasgada, guitarras, suor, sol, gasolina, Johnny, Joey, Tommy, Deedee.
Validade: Indefinida.
Contra-Indicações: Nenhuma conhecida.
Efeitos Secundários: Euforia, espasmos voluntários dos membros inferiores e superiores, dependência reportada em alguns casos.

-Dê-me todos os que tiver.

Monday, August 01, 2005

Macaquinhos no sótão

Eurythmics "There Must Be An Angel" - Uma manhã soalheira na feira de Carcavelos e um saco com soldadinhos de plástico verde (inclui tanque de guerra e cavaletes para arame farpado).

Pet Shop Boys "Always On My Mind" - Muito cedo, quando o Sol ainda não tinha subido o suficiente, manhã fresca, provavelmente pré-verão, um rádio roufenho cujo alarme soava como aquelas buzinas de ir ao futebol e leite demasiado quente no copo, à espera que lhe tire a nata.

Suzanne Vega "Luka": Praia das Avencas com vizinhos em Agosto à tarde, uma pedrada atirada sem querer à cabeça do irmão mais novo de alguém e a toalha estendida no estendal, pois então, à espera do bife ao jantar.

Wednesday, May 04, 2005

3d, OD, d3ö

Os d3ö são três moços de Coimbra ou arredores que vieram estrada abaixo há coisa de duas semanas e me fizeram acreditar outra vez nas coisas que importa acreditar, ou seja, que a selvajaria é o caminho.

Duas guitarras, uma bateria, o MELHOR FRONTMAN nascido em solo português actualmente em actividade (pelo menos até me mostrarem um melhor): Toni Fortuna (sim, o tal que era também dos Tédio Boys).

Na Oficina do Cais, um salão de festas do Montijo, não estariam muito mais de cinquenta a olhar para o palco. Eu vi. Vi que 1977 estava a apenas uns metros de distância. O destque vai naturalmente para Fortuna, que sua azia, alegria, bebedeira, faíscas, estrada poeirenta, caniçais do mississipi, energia, foda-se...Rock. And Roll.

Não estariam mais de cinquenta a olhar para a selvajaria que os três fizeram, para as guitarras maltratadas a golpes de cinto/chicote, os pedais pisados a pontapé, os olhos revirados, as cuspidelas, o delírio. Tudo aquilo de que os sonhos são feitos, no fundo.

Para vos falar de coisas concretas, há ali blues, gospel, funk (eu vi!) e RRRock, ao mesmo tempo sempre presentes e ao mesmo tempo só uma sugestão de si mesmos. Diabólico, com o cio, prostrado, rangendo os dentes, esperneando, o rock que sai dali vem sem filtros, sem adulterações, cru. E com espinhos.

Os d3ö, não sei por que via (quem sabe também não conta) foram buscar água ao poço primordial de onde sai a música elixir de vida, a música que germinou em honestidade, sonhos delirantes, febre, violência, liberdade e a juventude que gostava de ser eterna. Se os virem ao vivo, cheguem-se bem perto e deixem-se encharcar.

Monday, April 04, 2005

Gajos porreiros

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Vitorino é um gajo porreiro. Algumas das minhas primeiríssimas memórias musicais são da sua "Leitaria Garrett", "Tragédia da Rua das Gáveas" e claro, a menina que estava à janela. Tudo por culpa de um professor da escola primária, que fazia parte de um grupo de música tradicional, os Terra a Terra, e tinha umas ideias interessantes de Educação Musical. Além de Saint-Saëns e da 5ª de Beethoven assoprada na flauta de bisel, metia-nos também nos Boney M, mas em versão a capella, algo que ainda hoje estou para perceber.

Mas Vitorino, um alentejano do Mundo, já merece um culto. É certo que também fez umas merdas, mas nunca nada que lhe fizesse cair os parentes na lama. É daqueles tipos com quem apetece beber copos e falar serões a fio. Há uns anos visitei a sua terra natal, o Redondo, e na loja de um sapateiro lá estava, recortado de uma TV Guia qualquer, cheio de pó, o retrato do filho da terra. O irmão Janita pode ter uma das vozes mais dilacerantes de que me lembro, mas Vitorino é definitivamente merecedor do primeiro troféu "Um Gajo Porreiro" do Amolador.

Tenho para mim que "Sul", a canção, é dos melhores lava-almas que conheço. Urgente, batida pelo vento, a cheirar a planície molhada, é alentejana até ao tutano e ao mesmo tempo ultrapassa completamente o rótulo "étnico" ou "regional". Parece algo saído de um universo alternativo, em que os Joy Division tivessem estagiado no Grupo de Cantadores do Redondo. Só por isto, já vale a pena alguma vez ter cantado.

Mas há muito mais. Há Vitorino PREC, há Vitorino cronista de Lisboa que já não existe, Vitorino que canta como quem declama, histórias, História, tanta tanta coisa. A voz e a boina. Culto, JÁ!



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Outro Gajo Porreiro que, para felicidade de todos, até rima com o anterior, é Brian Eno. Ou "And now for something completely different". A quem se assuste com as conotações arty (Que é isso do "ambient"? Que é isso das "oblique strategies"? Que é lá isso de um gajo careca ser cabeludo? Que é lá isso dos vestidos?), posso só falar de dois discos: "Before And After Science" e especialmente, "Another Green World". Praticamente tudo o que já ouviram há-de lá estar, e ao mesmo tempo, só conseguirão pensar "Mas como é que eu nunca ouvi isto antes?".

Como só os génios, Brian Peter George St. Baptiste de La Salle Eno sacode a careca e caem pérolas no chão. É mágico da corte, descobridor da Antártida, desbravador de África e colonizador de Marte, tudo de minuto a minuto e muitas vezes ao mesmo tempo.

Claro, há as colaborações com os U2, com os James, e outras jornadas fora da terra dos sonhos. Mas isso era Eno a emprestar o pó mágico a outros. A melhor maneira de o ouvir, não, não de o ouvir a ELE, (porque o Eno que verdadeiramente interessa é aquele que não se vê, só se sente) , mas aos discos, é escolher um ao acaso, como tirar uma carta de um baralho na mão de um mágico. Pick one.

Tuesday, March 22, 2005

Pontas soltas

XADREZ: Vinha há dias no jornal. Gary Kasparov retira-se. O jogador de xadrez que protagonizou os históricos duelos com o seu arqui-inimigo Anatoly Karpov sai definitivamente do olho público. Karpov-Kasparov é daqueles binómios musicais que apetece dizer. É tão russo que parece inventado. Mas os russos sempre tiveram jeito para nomes memoráveis, especialmente os desportistas, que eram os mais visíveis cá deste lado. De memória, lembro-me de dois nomes que eram poemas: Elena Shushunova e Svetlana Boginskaya.

SITES ESSENCIAIS:
www.jumptheshark.com - Já vi descreverem este site como "crack para viciados em televisão". Aqui se debatem e debatem as razões pelas quais uma série de televisão a) presta b) não presta c) já prestou mas agora é uma merda inqualificável. As séries estão listadas por ordem alfabética do seu título original (Evitem procurar por "Quem sai aos Seus", "Uma família às direitas" ou "Modelo e Detective", prestem atenção aos genéricos e aos títulos originais). Do patético ao hilariante, há opiniões para todas as ocasiões. E sobretudo, razões, muitas razões para adorar ainda mais "The Office" e detestar ainda mais "Grace Under Fire".

www.somethingawful.com - Mau gosto, hipocrisia, cinismo, "geek"ismo informático, falhados, porcarias imperceptíveis e lampejos de génio.